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LGBT e Cuba

Pedro Menezes | 31 de agosto, 2017

Cordell Hull foi secretário de estado do presidente americano Franklin Roosevelt durante quase toda a Segunda Guerra Mundial, fundador da ONU e Nobel da Paz em 1945. O currículo nobre não impediu que muitas das citações ao seu nome estejam relacionadas a uma das frases mais famosas da Guerra Fria. Quando perguntado sobre o ditador Rafael Trujillo, que governou a República Dominicana por 31 anos, Hull disse: “Ele pode até ser um filho da puta, mas ao menos é o nosso filho da puta”.

Grande parte do movimento LGBT no país parece adotar a mesma estratégia de Hull na sua relação com a ditadura cubana. Jean Willys, principal nome da causa LGBT no Brasil, chegou ao ponto de vestir-se de Che Guevara em ensaio para uma revista e  chama-lo de “macho alfa da Revolução Cubana”. O que Jean conveniente ignora é simplesmente o fato de a ditadura cubana ter promovido a maior e mais sistemática perseguição a LGBTs no continente americano. Todo o histórico de Che e dos irmãos Castro é relativizado – afinal, se eles são filhos da puta, aparentemente podem ser perdoados, pois são os filhos da puta “deles”.

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Segue uma pequena lista do histórico da relação entre o governo cubano e a causa LGBT:

1) Até 1979, duas décadas após a chegada de Fidel ao poder, a homossexualidade era enquadrada como ato criminoso em Cuba. No Brasil, país que passa longe de ser exemplar neste aspecto, a homossexualidade foi descriminalizada em 1830, 140 anos antes.

2) A homossexualidade “publicamente manifestada” ainda é criminalizada no artigo 303a do Código Penal cubano, assim como “o incômodo persistente a terceiros”.

3) Durante os anos 60 e 70, com Fidel no poder, a ditadura cubana manteve campos de trabalhos forçados para homossexuais.

4) Cabelos longos, calças apertadas, camisas coloridas e penteados extravagantes, além de todo e qualquer comportamento ou vestimenta considerada afeminado pelo governo, poderiam levar o individuo à tortura e morte ou – na melhor das hipóteses – a uma lista negra que limitava suas oportunidades profissionais futuras.

5) Em 1965, numa entrevista, Fidel Castro disse: “[N]ós não acreditamos que um homossexual possa incorporar as condições e exigências de conduta que o transformariam num verdadeiro revolucionário, um comunista militante. Um desvio de tal natureza vai de encontro à ideia que temos sobre como um militante comunista deve agir”.

6) Em discursos, Fidel Castro elogiou o interior do país dizendo que, por lá, não existiriam gays. O ditador cubano considerava a homossexualidade “um sinal da decadência burguesa” que restou dos tempos pré-revolucionários, além de se referir aos “maricones” como “agentes do imperialismo”.

7) Reinaldo Arenas, escritor gay preso pelos irmãos Castro por “desvio ideológico” e posteriormente refugiado nos Estados Unidos, diz: “[O]s anos 60 … foram precisamente quando as novas leis anti-homossexuais vieram a tona; foi quando a perseguição começou e campos de concentração foram abertos, quando o ato sexual se tornou um tabu enquanto o “novo homem” era proclamado e a masculinidade exaltada.”

8) As crianças cubanas cujo comportamento era considerado afeminado pelo governo eram obrigadas a fazer uma “terapia de aversão”, uma forma de lavagem cerebral. Na terapia, as crianças eram expostas a fotos de homossexuais e, simultaneamente, sujeitada a desconforto físico (através de pequenos choques, por exemplo). Desta forma, é criado na criança um impulso de rejeição a homossexuais.

9) Ainda em 2001, a polícia cubana promoveu uma campanha contra homossexuais e travestis, impedindo todo o qualquer encontro na rua, fechando pontos de encontro tradicionais (alguns bares, por exemplo) e aplicando multas.

10) Em sua biografia, o próprio Fidel Castro reconheceu a perseguição a homossexuais empreendidas nas décadas de 60 e 70. Ainda assim, a união civil entre casais do mesmo sexo ainda não é reconhecida pelo governo cubano e bares frequentados pelo publico LGBT ainda precisam permanecer escondidos para não terem problemas com a polícia.

Não há registros de outros países da América Latina com um histórico tão claro de perseguição a LGBTs. Ainda assim, décadas depois deste fato e do reconhecimento do próprio Fidel, o partido de Jean Willys jamais negou sua simpatia à ditadura cubana. Escroques como Bolsonaro e Marco Feliciano seguem sofrendo duras críticas do movimento LGBT, com razão. Apesar do discurso abertamente homofóbico, nenhum deles foi o responsável direto pela morte, prisão ou tortura de homossexuais. Che Guevara, Raul e Fidel foram. Convenientemente, Jean Willys esquece de aplicar o seu rigor humanitário aos defensores da ditadura cubana.

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Pedro Menezes é membro do Conselho Executivo do Instituto Mercado Popular e já foi membro do Conselho Internacional do Students For Liberty

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